11.6.08

Muitos de vocês não devem se lembrar de mim. Fiquei muito tempo afastada, repleta de questões pessoais para resolver, trabalho, filho, processos, enfim...

O resumo da minha história, ou melhor, da nossa história é o seguinte:
Me inscrevi no Conselho Tutelar da cidade onde eu morava, buscando adotar uma criança de 0 a 5 anos de idade, sem distinção de sexo, cor, etc. Ficamos exatos 9 meses aguardando algum contato, eis que no dia 6 de março de 2006, recebemos a ligação do Conselho Tutelar dizendo que havia um menino de 5 anos que se encontrava na Casa de Passagem com uma mãe social e que lá não poderia mais ficar e nem passar aquela noite. Eles estava a procura de uma família substituta.
Pegamos o carro e fomos para lá. Nos contaram uma história breve sobre o menino que sofria maus tratos diversos, explorações de todas as ordens, estava sub-nutrido, e se havia interesse de vermos a criança antes de decidirmos ficar com ela.
Na ocasião eu disse que não queria vê-lo antes, pedi apenas para me darem a papelada para assinar pois ele iria pra casa conosco, independente de quem ele fosse e como ele era. Assinei os papéis e fui buscar o menino.
Ele estava arrumadinho, com sua mochilinha nas costas nos esperando. Nos apresentaram como "tios" e ele tímido veio no meu colo e o trouxemos para casa. Aqui já estavam meus cunhados e minha irmã esperando por nós. E neste primeiro dia ele me chamou de mãe e o meu marido de pai. Era como se ele sempre estivesse aqui... Aquele, definitivamente, não era o primeiro dia, pois não era isso que o nosso sentimento dizia. No dia seguinte, ele acordou com um sorriso nos lábios.
Deste dia em diante, Natan está aqui pra sempre.
Meu filho, minha vida, meu amor.
Não o vi dar seus primeiros passos, mas o acompanhei quando começou a escrever as primeiras palavras.
Não presenciei quando começou a falar, mas o ajudei a aprender a ler.
Estive presente em todas as suas conquistas, desde as medalhas que ganhou nos campeonatos de natação (algumas em primeiro lugar) até quando aprendeu a amarrar seus cadarços sozinho.
Apesar de todas as dificuldades que passou antes de estar aqui, Natan é uma criança feliz, saudável, inteligente, que sabe brincar, sabe dividir, compartilhar, dar carinho.
Hoje, ele tem 7 anos e estamos com o processo de adoção completando quase 2 anos.
Em meio a este processo, a mãe biológica em primeira instância foi favorável a adoção, mas em seguida quis ter o filho de volta. Não me abalei porque sei com todo o meu coração que o Natan é o meu filho, que daqui só sairá no dia em que se casar... rs... ou quando for adulto e quiser ter sua independência. Não tenho medo de perdê-lo, pois ele é nosso e sempre foi de certa forma. Não há nada que abale ou consiga desfazer os laços que foram criados entre nós. Laços de sangue? Não! Laços de amor que são muito mais firmes e apertados.

Ontem, recebemos a notícia do nosso advogado de que o Juiz do caso é favorável a adoção e que agora falta muito pouco para finalizar todo este cansativo processo. No mais, não penso muito nisso, pois sei que tudo acabará bem para todos. O que penso todos os dias é em criar o meu filho para ser um homem de bem.

Beijos e desculpas por não estar tão ativa quanto gostaria.

- Mila Viegas, mãe do Natan (7 anos) -
 
posted by Mila Viegas at 2:17 PM | 6 comments
18.5.08
Sou mãe de dois filhos adotivos e me irrito quando dizem que eles não são meus "filhos verdadeiros".

VOCÊ TEM TODA A RAZÃO de se irritar. Um doador de esperma, por acaso, é um pai "verdadeiro" ou é um simples masturbador de material genético? É claro que você vê orgulho nos pais biológicos que também desempenharam a paternidade. Seus filhos têm seus traços, seus trejeitos, suas heranças biológicas. Eles são pequenas miniaturas deles.

A mãe natureza quer esse vínculo, para o benefício das crias. A tolerância de pais biológicos para um "sangue ruim", que a loteria genética lhes produza, será maior do que a de pais adotivos.

Mas, afinal, o que são um pai e uma mãe "verdadeiros"? São aqueles que produzem as condições para que a criança se torne uma pessoa, um indivíduo. São aqueles que desempenharam funções de pai e de mãe (continuação do ventre é igual a nutrição; calor e proteção, função de mãe; apresentação suave para viver no mundo, função de pai). Todas podem ser desempenhadas pela pessoa, quem quer que seja, interessada na criança: mãe, pai, babás, avós, curadores de orfanatos etc.

Quando um embrião se torna um ser humano (desenvolve um sistema nervoso que o permite sentir alguma coisa), vai precisar dessas funções para se tornar uma pessoa. É um trabalho danado, um investimento amoroso enorme. A "verdade" está com quem toma para si tal empreendimento.

(texto escrito por Francisco Daudt, psicanalista, publicado na Revista da Folha em 27/04/08)
 
posted by Adriana at 10:04 PM | 1 comments
2.5.08
Neste artigo, a juíza Mônica Labuto fala sobre a adoção, tema que segundo ela: “é permeado por dúvidas, mitos e preconceitos”, esclarecendo alguns pontos que ainda não foram bem digeridos pela sociedade. De forma clara, a juíza explica como ocorrem as adoções e a importância de ter certeza na hora de adotar uma criança, informações que estão na cartilha lançada este ano em meio às comemorações do Dia Nacional da Adoção.

Ao ensejo das comemorações do Dia Nacional da Adoção – 25 de maio –, data reconhecida oficialmente em 07/05/2002, com a promulgação da Lei n° 10.447, de autoria do deputado catarinense João Matos, cumpre-nos traçar um panorama do relevante instituto jurídico que busca, em sua síntese, assegurar o direito de crianças e adolescentes à convivência familiar quando desassistidas por suas famílias de origem, envolvendo também questões psicológicas e sociais, dando um contorno maior do que simplesmente uma instituição jurídica, positivada em texto legal vigente.
O ato de adotar, muito mais do que uma instituição jurídica definida e regulada por lei, é a construção de uma família, sendo que “o que os pais adotivos fazem, na verdade, é transformar ‘crianças’ em ‘filhos’, reinventam a família, tornando a família adotiva, uma família inventada pela cultura e pelos afetos”, nas sábias palavras de Fernando Freire.
O tema adoção é permeado por dúvidas, mitos e preconceitos, que devem ser destacados e devidamente esclarecidos a fim de promover uma sólida reflexão sobre a realidade do ato de adotar, sendo certo que um dos aspectos é a preocupação de muitos com a questão da herança biológica na determinação do comportamento, o medo da revelação da condição de adotado, o receio quanto à adaptação de crianças nas adoções tardias, dúvidas quanto à adoção monoparental e por homossexuais, entre outros que integram as relações humanas.
Com o objetivo precípuo de esclarecer e desmistificar as questões pertinentes à adoção, o Fórum de Paracambi, por meio de seu Setor Técnico, organizado por esta magistrada, elaborou uma cartilha como ponto de partida ao processo de reflexão do instituto junto à população, abrangendo as dúvidas mais comuns, a legislação que rege a matéria, de forma clara e acessível, devendo-se gizar que apenas a informação não muda conceitos ou comportamentos, sendo necessário o uso de outros instrumentos que possibilitem a abran-gência que merece o tema, como, por exemplo, os Grupos de Apoio à Adoção, que são grupos formados por pais e filhos adotivos e outros interessados, que se reúnem buscando trocar experiências, refletir e discutir sobre a questão, oferecendo também esclarecimentos de forma continuada, nas várias etapas dessa vivência humana.
Cumpre-se salientar que, lamentavelmente, nem todas as comarcas contam com essa importante iniciativa, carecendo tais munícipes de mais informações e apoio acerca do tema adoção, trabalho realizado pelos Grupos de Apoio que também visam informar, divulgar e incentivar a adoção por vias legais.
Uma das conseqüências jurídicas mais importantes do processo de adoção é a perda do pátrio-poder pelos pais biológicos que, com isso, perdem todos os direitos e deveres que eventualmente teriam sobre o filho que restou adotado, dando aos pais adotivos, a contrario sensu, aqueles direitos a eles pertencentes, passando o adotado a ter, até, outro registro de nascimento, com os nomes dos pais adotantes, sendo vedada qualquer menção à adoção na nova certidão do adotado.
Deve-se salientar que em quaisquer relações humanas há conflitos e problemas de relacionamento decorrentes do convívio diário, sejam em uma família com filhos biológicos ou adotivos, devendo ser afastadas as observações do tipo “agiu assim por ser filho adotivo...”, o que é um erro gravíssimo, tendo em vista que o filho biológico também pode gerar conflitos e sofrer crises decorrentes das várias etapas do desenvolvimento, não se devendo creditar ao fato de ser adotado a ocorrência de problemas de convívio no relacionamento cotidiano.
Finalmente, muito ainda há para falar sobre tema tão amplo como a adoção, mas o certo é que ainda há um longo caminho a trilhar, buscando dirimir dúvidas e quebrar tabus que ainda recaem sobre o ato de adotar, que é, acima de tudo, um ato de amor, um momento de construção de uma família por meio de laços de afeto.
 
posted by Adriana at 11:29 PM | 0 comments
3.3.08
"Dia 10 de dezembro recebi um e-mail, tanto aqui quanto de outras listas, informando sobre crianças disponíveis para adoção no Estado do rio de Janeiro. Acabei não ligando pq os perfis descritos estavam fora de minhas possibilidades (3, 4 crianças). Porém, no dia 11 resolvi ligar pra pegar o endereço para mandar cópia da minha habilitação, quando fui informada de que havia um menino de 1 ano e 9 meses que não andava e não falava e que teria possíveis problemas mentais e que não havia pretendentes para sua adoção e que o mesmo iria para adoção internacional. Na hora eu disse que eu o adotaria. Além dele, também havia uma menina de 30 dias cuja mãe é HIV e que havia um casal francês interessado na adoção, já que não havia brasileiros (cariocas) interessados na adoção, mas que ainda não haviam dado certeza. Me coloquei na fila: se o casal frances desistisse eu ficaria com a menina também.

Dois dias depois recebi uma ligação da comarca informando que o casal frances havia desistido da adoção da menina e que o menino continuava sem pretendentes. Na hora disse que eram meus filhos e que iria buscá-los. Mandaram que eu, primeiro, fosse ao abrigo conhece-los, para só, então, ir ao forum com a certeza de que eu os queria. Disse que não precisava vê-los, que já sabia que eram meus filhos. Porém insistiram para que eu fosse primeiro ao abrigo.
Durante os dias que se seguiram, liguei algumas vezes para o abrigo para saber tamanho de roupa, tamanho de fralda, marca de leite que os pequenos tomavam e fui me preparando.

No dia 18 fui para o Rio. Sai daqui de São Paulo às 2 da manhã. cheguei ao Rio cerca de 8hs, porém me perdi (grande novidade rs). Acabei por chegar no abrigo apenas as 10hs da manhã.
Chegando no abrigo, logo me trouxeram a pequena Maria Luiza (nascida Thamyres). Não preciso dizer que foi amor imediato. Ela ficou tranquila no meu colo e eu toda desengonçada com um tequinho de gente nos braços que mal sabia como segurar. Diga-se que Malu tinha hernia inguinal e precisava de alguns cuidados como: sempre pegá-la ao colo para que não chorasse para a hernia não encarcerar; o leite tinha de ser um pouco mais fraco para evitar cólicas e etc.
Rodrigo Emmanuel (nome de registro e que eu achei lindo) não estava no abrigo porque fora fazer uma tomografia.
Fiquei no abrigo até que ele chegou. De imediato, quando cheguei perto, ele abriu o berreiro, virou o rosto e não quis vir no meu colo. Na hora fiquei preocupada pensando que ele não havia gostado da minha cara, mas as moças do abrigo me acalmaram dizendo que ele era realmente muito ressabiado com todos, mas que logo se acostumaria comigo.

bom, quando foi umas 14hs ligaram do forum nos chamando para a audiência. Fui acompanhada da diretora do abrigo.
No forum foi tudo muito tranquilo. A defensora pública entrou com as petições para o pedido de guarda. Tudo foi feito de forma rápida. A audiência também foi tranquila.
Sai do forum depois das 19hs e corri para o abrigo com os termos de guarda na mão.
Cheguei no abrigo, as crianças ja estavam trocadas e alimentadas para aguentarem a viagem. Fui me aproximando com cautela de Rodrigo, pq ainda tinha receio de que ele chorasse, mas qual não foi minha surpresa quando ele levantou os bracinhos e veio direto para o meu colo? Afff. só emoção!

Peguei a estrada quase 22hs e cheguei em São Paulo às 3hs da manhã.

Uffa. A viagem foi tranquila. O único problema foi trocar Rodrigo de lugar com Malu. Eu havia levado um moisés para trazer maluzinha e traria Rodrigo no colo. Porém logo no começo da viagem, Malu começou a chorar muito. então coloquei Rodrigo no Moisés (ficou com as perninhas dobradas, tadinho,) e eu trouxe Malu no colo. Vieram tranquilos. Paramos apenas uma vez para dar de mamar. Mamaram e voltaram a dormir (com o balanço do carro)

A primeira semana foi, digamos, um pega pra capar. Tudo novo, fraldas, mamadeiras, chupetas, choros, choros, choros. Não dormi, não comi e só conseguia ir ao banheiro quando estava tudo saindo pelo ladrão. Foi um sufoco pq Maluzinha não podia chorar, então era só a pequena começar a gemer que lá ia eu pegá-la no colo.
Rodrigo foi um anjo desde o primeiro dia, sempre compreensivo com meus cuidados maiores com Malu. O único grande problema com Rodrigo era o banho. Era chegar perto da água para abrir o berreiro.

Dia 25 de dezembro Malu passou mal, chorou muito por mais de uma hora e não havia o que a fizesse parar. Acabei por levá-la ao hospital. a hernia estava encarcerada.
Consegui marcar a cirugia da pequena para o dia 16 de janeiro, mas Malu teve novas crises no dia 27 e 28. levei-a ao hospital onde os médicos colocavam a hernia para dentro e nos mandavam para casa. Porém no dia 29, depois de nova crise, eu disse ao médico que não sairia do hospital sem que Malu estivesse operada. Não queriam operá-la alegando que eram necessário fazer exames mais precisos por conta do HIV e etc. Bati o pé e disse que chamaria a policia ou quem de direito e processaria o hospital por omissão de socorro. Acabaram por internar a pequena e no dia 30, logo cedo, ela foi operada.
A cirurgia foi rápida e a recuperação da pequena foi melhor ainda. É certo que me fizeram ficar de castigo um dia a mais no hospital, por birra mesmo, pq fui informada pelas enfermeiras de que as crianças sempre tinham alta no mesmo dia da cirugia à noite. Tudo bem, passamos mais uma noite no hospital e logo cedo, no dia seguinte, voltamos para casa.

Enquanto isso Rodrigo começou tratamento com fisioterapeuta e gostou tanto que chega em casa e gosta de fazer os exercícios e é louco para andar. Engatinha muito e já fica em pé sozinho por alguns segundos. É um menino extremamente inteligente, basta mostrar a ele uma única vez e ele sai fazendo direitinho tudo. É aficcionado por limpeza, todo tequinho de poeira ele pega e traz pra mim. Gosta de conversar, de cantar e de dançar. Tem o sorriso mais lindo desse mundo e hoje cortou os cabelos. fez um escândalo memorável, mas depois que se olhou no espelho foi só sorrisos.
Rodrigo está muito ciumento da irmã, então basta eu pegá-la no colo para que ele comece a fazer tudo quanto sabe que não pode, e se joga no chão e pede colo e etc. Gosta de tomar chá na chuca da irmã, não interessa dizer que o chá dele é o mesmo, ele tem de tomar na chuca da irmã. Então estamos passando por esta fase do " minha mãe é só minha", mas estamos indo bem (eu acho rs). Hoje adora tomar banho. O dificil é tirá-lo de dentro da banheira rsrsrs.
Malu é outra menina, super tranquila e sorridente. Amanhã fará seus primeiros exames de sorologia para ver como está o tratamento. Tomou 42 dias o xarope de AZT. Agora vamos ver os resultados para saber se prosseguimos com o tratamento ou se já está negativada.
Rodrigo continua com o fisioterapeuta e vai começar com a fono. Tudo indica que o tal "retardamento" não passava de falta de estímulo.
E eu??? Cansada, mas tão feliz que já penso em, daqui uns 2 anos, começar tudo de novo rsrsrs.

Por isso eu disse que às vezes a nossa felicidade está tão perto e a gente teima em não ver. Meus filhos são duas crianças lindas e tranquilas, talvez fosse "desejo" de muitos e muitos pretendentes á adoção e já estariam em um lar há tempos, porém os entraves (suposto retardamento e HIV) afastaram os tantos possíveis interessados que vão continuar na fila esperando, esperando. E eu só posso me dizer abençoada por ter estes dois anjos comigo. Por eles terem me aceitado desde o primeiro dia e aberto seus coraçõeszinhos para uma estranha que Rodrigo chama de mamãe e Maluzinha olha fixamente com um sorrisão lindo. " - Paula Cury
 
posted by Cá at 8:30 PM | 6 comments
19.12.07
A Cá me disse que este texto já foi publicado. Mas como eu sei que as pessoas nem sempre procuram as postagens antigas, vou de "vale a pena postar de novo".
A primeira vez que encontrei Maria Clara, minha filha, ela já estava irremediavelmente abraçada à Yara, minha esposa. Olhei aquelamenina negra de olhos espertos e não pude resistir: Criança não tem cor, tem sorriso. E o sorriso dessa menina me comoveu mais do que todos os outros.Na noite em que foi abandonada na porta de uma igreja, recém-nascida, e recolhida pelas irmãs do grupo de adoçãoTamina, na Bahia, o seu destino parecia ser igual ao de milhares de outras crianças que diariamente, vêem o pacto de felicidade que lhes deu a vida ser rompido da maneira mais cruel.No entanto, Maria Clara parece ter nascido predestinada. Os mais crentes diriam que o dedo de Deus deixou sua marca na menina em forma de um curioso sinal de nascença. Negra, Clara nasceu com uma manchinha branca na testa e,logo que a encontraram, as freiras batizaram-na com o mesmo nome da minha mãe. Coincidência ou deusdência? Eu acredito nas coincidências felizes, porque as infelizes a gente tem que esquecer.Montar uma casa, escrever um livro, adotar um filho... Maria Clara não saiu da minha barriga, mais entrou no meu coração, diz Yara para explicar o porquê da adoção.Na verdade, nós vimos na adoção uma forma de realização suprema do sentimento de paternidade e maternidade, pois implica uma opção muito sincera, na qual o sentimento de querer um filho é muito maior do que simplesmente ter esse filho. É difícil existir no mundo alguém com um amor maior do que o meu pela Clarinha,diz Yara.Infelizmente, para muitas pessoas, a adoção ainda é um tabu.Há mulheres que preferem passar por um sofrido processo de inseminação artificial a aceitar uma criança que não carregue a sua herança genética. Eu não hesitei em usar a mesma polêmica das modinhas e das paródias políticas que me tornaram famoso em todo oBrasil: Não há maldade pior do que deixar uma criança abandonada.Muitas mães que fazem questão de gerar seus próprios filhos acabam criando traficantes, assassinos ou coisa pior, já o Chaplin, por exemplo, foi criado na rua e se tornou um dos maiores gênios de todos os tempos. Geralmente, o filho adotivo é sempre o melhor, porque a relação surge de uma necessidade de ambas as partes e a educação é mais atenciosa.No Brasil, a burocracia torna oprocesso de adoção moroso. No meu caso, o fato de ser uma personalidade pública facilitou a adoção de Maria Clara. Logo que vimos, a levamos para casa e vivemos um período de adaptação de oitomeses, exigido pela lei. Só quando a Clarinha completou um ano, nós recebemos a posse oficial. Foi o documento mais importante que eu assinei na vida. Existem várias famílias que levam uma vida modesta,mais nem por isso deixam de adotar uma criança. Eu não estou no meu melhor momento econômico, mas isso não interferiu de forma alguma na decisão de adotar a Clarinha. Quem morre rico não tem imaginação. Juca Chaves
 
posted by Adriana at 11:31 AM | 3 comments
25.11.07
Mais um texto da amiga Dani, respondendo como lidar com crianças que já sofreram traumas.
Cada caso é um caso e aflora de uma maneira, o importante na adolescência é falar sobre o que aconteceu. Se os pais não se sentem bem em tocar no tema sozinhos com a criança, buscar um profissional que intermedie a conversa. Há varias maneiras de tratar isso, mas não existe cura interna, o que existe é através da terapia amenizar as conseqüências que isso pode trazer para toda a vida. É terapia por toda a vida, pois cada experiência pode despertar sentimentos com relação ao trauma. E aos poucos a pessoa, adolescente e adulta vai aprendendo a lidar com essas emoções que parecem ter desaparecido, mas em verdade podem estar sempre dormindo. Abusos há de vários tipos e sempre tratá-los como tal, não generalizar e tratá-los todos da mesma maneira. Crianças muito pequenas que foram abusadas, geralmente são retraídas ou agressivas se tem certa consciência do ocorrido. Qdo esse vestígio de consciência não existe nesse momento, seguramente sairá à frente na adolescência através da conduta, ou ate mesmo pode chegar a lembrar o que aconteceu qdo era pequena, como uma espécie de imagem indefinida que busca a emoção do momento e pluft a coisa explode. O que fazer com a criança ou adolescente no dia a dia, depende muito de cada caso, e do tipo de abuso. Por exemplo. Existem crianças que foram abusadas sexualmente e não suportam ser tocadas, ou beijadas, ou algum tipo de carinho físico...esses casos são bem especiais pois a aproximação física deve ser muito devagar à medida que a terapia avançar, a confiança se estabelecer.
Por isso não existe uma receita para "como tratar uma criança no caso de abuso" pois cada caso é um caso. O que eu diria seria coisas muito gerais: buscar ajuda profissional, não evitar falar sobre o assunto, muito amor, muito carinho, e muita empatia, não ter medo de colocar limites por que a criança tem um trauma, pois isso é cultivar outro problema.
Criança ou adolescente abusado tem uma autoestima baixa, desconfia de todos, e tem uma visão de mundo ruim. É aí que se deve trabalhar, na autoestima e na visão de mundo. A família bem orientada consegue lidar com as situações, e consegue ajudar a criança ou adolescente a conviver e a se fortalecer para lidar com essas feridas que se fecham muito lentamente. Mas é como montar montanha russa, uma hora sobe outra hora desce, e a terapia e a família podem ajudar no processo interno que a pessoa passa para saber lidar com essas emoções. Tempo é o amigo intimo de cada pessoa e a família , mas pode se tornar inimigo se deixar ele passar sem tomar nenhuma atitude para ajudar ao abusado. Pois o que hoje são feridas com possibilidades de fechar-se, amanha podem tornar-se armas para ferir outras pessoas da mesma maneira ou até mesmo pior. Dentro desses dois extremos existe um presente que é determinante para êxito futuro em muitas áreas da vida. No dia a dia é basicamente fortalecer a autoestima da criança ou adolescente, ganhar sua confiança a ponto de poder afrontar o assunto de frente em algum momento. Qdo se pode falar abertamente sobre o que aconteceu, é sinal de que se busca fortalecer internamente ao extremo de maneira certa. O abuso se reflete de varias maneiras: agressividade, apatia, retraimento, ira... atitudes que refletem pouca personalidade, ou seja um adolescente que é convencido facilmente a qq coisa, um adulto complacente demais, inseguro demais, indeciso demais.
Quem tem medo de não saber lidar com a situação tem que investigar dentro de si mesmo por que esse medo, depois que chegar a conclusão bem clara do por que esse medo, então poderá ter uma idéia maior de suas limitações para lidar com certas situações. Às vezes queremos muito alguma coisa, mas essa coisa pode não ser pra nós. Me explico?! E isso não é vergonha pra ninguém. Cada pessoa é uma única, e seria muito chato o mundo se todas fossem iguais. Lembre de sua infância e de como seus cuidadores eram com você, e se vc se sente satisfeita com a segurança que eles te passaram, a educação que eles te deram, se sentiu amada e cuidada saberá como atuar com com qq criança e terá as ferramentas internas necessárias para ajudar a uma criança com traumas. Ter uma fortaleza interna é fundamental para lidar com crianças abusadas. Essa fortaleza vem das interpretações positivas de suas experiências de vida( ate do negativo saber tirar algo positivo), essas são as pessoas que conseguem lidar com crianças com traumas. Mas nem tudo se faz sozinho, e por isso hoje em dia já tem tantas áreas dedicadas à ajuda psicológica. Nem todo psicólogo é apropriado para lidar com certos"problemas" e por isso existe a vocação e as especializações. Fica sempre atenta a quem buscar, que títulos tem, que trajetória tem, que experiência tem.
 
posted by Adriana at 8:50 PM | 0 comments
2.11.07

Amei este texto, da autoria da Dani, um membro do Orkut. O tópico da discussão é sobre uma moça de 24 anos, que hoje grávida de seu primeiro filho, considera a possibilidade de devolução de uma adolescente que ela adotou. Adaptei um pouco, mas acho que temos muito o que meditar sobre o que ela pondera.

Esse tipo de coisa acontece por que os adotantes não estão claros emocionalmente em sua motivação para adotar.
Idealizam demais a adoção como se fosse algo mágico. Ter filhos não é algo mágico, é uma realidade diária cheia de alegrias, tristezas e frustrações também, Seja ele filho bio ou adotado, é um ser humano totalmente independente com uma forma de ver o mundo única(ainda que grande parte dessa percepção leve a influencia dos cuidadores diretos).
Saber lidar com essas "frustrações" que ocorrem é que mora a diferença e a sanidade interna de uma pessoa, e sua maturidade emocional para saber fazer dessa "frustração" uma manivela forte para mudar a situação de maneira acertiva.
Creio que o que acontece com essa senhora não é diferente de muitos outros casos parecidos que vemos diariamente(infelizmente); pessoas com motivações internas "indefinidas" para adoção.
Qdo o assunto vira uma realidade percebem q não tinham idéia do que realmente é ter filhos; Não tinham idéia de muitos aspectos. Inclusive de suas próprias limitações para muitas coisas.
A adoção tardia não é para qq um. Adoção tardia é para quem realmente esta maduro para lidar com outro ser humano totalmente estranho,com uma super mochila de vida nas costas a ser compreendida, relevada e redireccionada. Quem opta por esse tipo de adoção deve ter um autoconhecimento grande, ter a sabedoria interna de ajudar-lo a integra-se a sua nova realidade pouco a pouco.
A adoção tardia é uma adoção especial cheia de outras possibilidades de situações que podem ou não dar-se, e ignorar essas possibilidades não é nada legal.
Mas creio que a situação vai muito mais longe, do que não estar "preparado" para essas possibilidades, creio que o problema esta realmente em saber internamente o que quer, o que pode ter, o que é possível que tenha, o que é adoção, qual a motivação verdadeira para dar-se essa adoção, e o mais importante na minha opinião "O momento de ter filhos" ainda q sejam biológicos em um momento pouco pensado, pouco planejado, pouco considerado em sua totalidade, traz consigo um "peso", ou seja, não estar minimamente preparado pode fazer essa maternidade algo difícil de lidar no dia a dia. Principalmente na hora que a criança vai crescendo e se demonstrando uma pessoa independente com seus próprios desejos, acertos e erros.
Talvez p essa senhora, o estar grávida nesse momento, represente a realização de uma sonho, e agora a menina "sobra" na concepção inconsciente, ou ate mesmo consciente, de uma pessoa que não "acolheu" com o coração a essa menina.
Situação difícil e dolorida, difícil de ajudar, mas creio que acudir uma terapia em família, e individualmente poderia ajudar sim.
Acredito fielmente que a mãe deve fazer uma terapia individual urgente, pois ela é quem não sabe lidar com o assunto, e as muitas emoções que estão surgindo com essa gravidez. Ela esta despejando na menina um peso enorme, e muito injusto.
A transformação hormonal que esta passando não justifica nada, pois apenas acentua o que já existia previamente em emoção.
Infelizmente casos assim ocorre mais vezes do que podemos imaginar, e o fim é quase sempre o mesmo, a devolução da criança.
Mais uma vivencia para que ela ponha dentro de sua pequena mochila da vida, de maneira internamente devastadora.


Amei! A primeira vista pode parecer que ela é contra... mas não é. Adoção tardia é maravilhosa, e todos só tem a ganhar com ela. O que precisa ficar bem claro, para que se evite situações muito tristes, é que esta criança tem um passado e isto precisa ser aceito. o ato de adoção não apaga automaticamente tudo o que ela viveu! Mas o carinho e o amor no dia a dia podem sim, transformar uma vida!
 
posted by Adriana at 7:21 PM | 4 comments